Quase quatro anos depois, muro junto ao Hospital da Cruz Vermelha continua por requalificar

Um problema identificado em 2022 continua sem solução junto ao Hospital da Cruz Vermelha. Desde 22 de janeiro, perfis de betão ocupam lugares de estacionamento na Rua Padre Francisco Álvares. Mais de 45 dias depois, não existe calendário para a obra.

9 de março de 2026

Desde 22 de janeiro que vários perfis de betão ocupam lugares de estacionamento na Rua Padre Francisco Álvares, junto ao muro contíguo ao Hospital da Cruz Vermelha. A medida foi apresentada como preventiva, para mitigar riscos associados a uma eventual queda do muro e deslizamento de terras.

Mais de 45 dias depois, os perfis continuam no local e não existe qualquer calendário público para a requalificação.

A Junta confirmou por escrito que a empreitada é da responsabilidade do hospital e que, por esse motivo, não consegue indicar prazos. Isto significa que a única entidade que pode esclarecer quando começa a obra e quanto tempo irá durar é o próprio Hospital da Cruz Vermelha.

A plataforma de moradores do Bairro Novo de Benfica contactou formalmente o Gabinete de Comunicação e Marketing do Hospital da Cruz Vermelha, solicitando informação concreta sobre o calendário previsto, a duração estimada dos trabalhos e o impacto esperado no estacionamento da zona.

O hospital respondeu posteriormente ao pedido, referindo que a atual administração se encontra em funções há cerca de dez meses e que está a trabalhar em articulação com a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica para encontrar uma solução técnica para o problema.

Na resposta enviada, o hospital indica ainda que têm sido realizadas medições regulares da estabilidade do terreno em coordenação com a Câmara Municipal de Lisboa e que estão em curso diligências para identificar uma solução definitiva. Contudo, não é apresentado qualquer calendário para adjudicação da empreitada, início dos trabalhos ou prazo de conclusão da intervenção.

Num bairro onde o estacionamento é há muito um problema estrutural, a retirada prolongada de lugares sem horizonte temporal definido gera uma pressão adicional difícil de acomodar. Ninguém questiona a prioridade da segurança. O que está em causa é a ausência de transparência e de comunicação por parte de uma entidade privada pertencente à Cruz Vermelha Portuguesa, cuja intervenção está a condicionar espaço urbano e a vida quotidiana dos moradores.

A situação é objetiva: os lugares continuam bloqueados, não há prazo anunciado para a obra e não existe ainda uma previsão concreta para a resolução definitiva do problema.

Passados mais de três anos desde a identificação do problema e 45 dias após a colocação dos perfis de betão que retiraram lugares de estacionamento, a questão central mantém-se: quando começará efetivamente a requalificação do muro e quando poderão os moradores voltar a utilizar estes lugares?

Situação arrasta-se desde outubro de 2022

Em outubro de 2022, a Junta informou os moradores de que a Proteção Civil tinha interditado 14 lugares de estacionamento devido ao risco associado ao muro, identificado como propriedade da Cruz Vermelha Portuguesa, através do Hospital da Cruz Vermelha.

Na mesma comunicação foi transmitido pelo Presidente da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica, José da Câmara, que o hospital estava a recolher orçamentos para a obra de requalificação e que, após adjudicação, os trabalhos poderiam ter uma duração estimada de dois a três meses. Foi também admitida a possibilidade de realização de uma sessão de esclarecimento aos moradores quando a obra avançasse, algo que nunca chegou a acontecer.

Em fevereiro de 2024, a situação mantinha-se por resolver. Os moradores voltaram a reforçar o pedido de intervenção, referindo que os constrangimentos persistiam e que tinham sido retirados mais lugares de estacionamento na zona.

Em março de 2026, continuam a existir lugares condicionados por razões de segurança associadas ao muro, sem que tenha sido anunciado qualquer calendário público para a requalificação definitiva.

Sobre a plataforma

A Plataforma de Moradores do Bairro Novo de Benfica nasce da vontade de reforçar a união entre moradores e de criar uma voz coletiva que represente o bairro junto da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de São Domingos de Benfica.

Pretendemos promover o diálogo, identificar problemas, valorizar o que já existe de bom e contribuir ativamente para a melhoria da qualidade de vida no nosso bairro.

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